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TREINAMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS NA CLÍNICA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Mônica Portella, Maurício Canton Bastos, Tânia Netto, Kátia Vega

     Esta mesa tem por objetivo discutir o Treinamento de Habilidades Sociais como ferramenta de prevenção e tratamento no âmbito da clínica e das instituições. Discute-se sua aplicação individual ou em grupo, de acordo com o contexto.

1 - THS NA DÍADE TERAPEUTA-CLIENTE: ESTUDO DE CASOS

    A fobia social consiste em uma sensação de medo, ansiedade ou desconforto quando o paciente é exposto a situações sociais, tendo conseqüentemente o afastamento e a evitação social.

    A fobia social pode ser específica a determinadas situações (como por exemplo, comer e beber em público, escrever na frente das outras pessoas, pedir informações, falar em público, etc) ou difusas (envolvendo várias circunstâncias sociais).

    O comportamento do fóbico social leva a evitação do objeto fóbico, atividade ou situação socialmente temida. Vale lembrar que, a fobia social pode prejudicar bastante o desempenho do paciente em uma série de áreas, como por exemplo, a área profissional (uma vez que a pessoa pode evitar interagir com seus pares, participar de eventos formais e/ou informais, reuniões, apresentar relatórios em público, etc), social-afetiva (uma vez que a pessoa pode encontrar dificuldade de fazer amigos e conquistar parceiros, interagir com as pessoas em geral), etc.

    O treinamento em habilidades sociais é uma ferramenta muito importante para o tratamento da fobia social, sendo que de acordo com a literatura os melhores resultados aparecem nos trabalhos em grupo. No entanto, muitos pacientes com fobia social recusam-se a participar de trabalhos em grupo terapêutico, em função da dificuldade social apresentada.

    O objetivo do presente trabalho consiste em discutir o treinamento em habilidades sociais realizado com cinco pacientes portadores de fobia social difusa na díade terapêutica. Participaram deste estudo três pessoas do sexo masculino e duas do sexo feminino, com idades variando de 25 a 42 anos. Foram observados comorbidades (depressão e transtorno do pânico) em dois pacientes desse grupo.

    Foram realizadas doze sessões de treinamento em habilidades sociais na díade terapêutica, a princípio essas foram realizadas dentro do setting, no final do treinamento realizamos sessões externas com o objetivo de generalizar as habilidades trabalhadas.

    Verificamos que: Os pacientes se beneficiaram do treinamento em habilidades sociais, pois todos apresentavam uma restrição de comportamentos sociais aptos.

    O treinamento em habilidades sociais ajudou no que se refere ao trabalho cognitivo realizado com os pacientes, uma vez que possibilitou trabalhar pensamentos automáticos disfuncionais, por meio da reestruturação cognitiva, pois muitas vezes o treinamento desencadeava distorções cognitivas, que eram trabalhadas in locco.

    Cabe destacar a importância da utilização das tarefas de casa, que eram solicitadas a cada sessão, como complemento do treinamento proposto. As tarefas de casa, ao nosso ver auxiliaram na generalização das habilidades sociais treinadas na díade terapeuta-paciente.

    Concluímos, que os participantes desse treinamento se beneficiaram do treinamento em habilidades sociais, que se mostrou uma ferramenta indispensável para o tratamento da fobia social.

     Modalidade de Trabalho: Mesa redonda.

2 - THS EM GRUPO DE PACIENTES DE CONSULTÓRIO

    Discute-se a aplicação do THS em grupo de pacientes que na clínica individual apresentam diferentes dificuldades sociais. Propõe-se o uso de vivências que possam integrar as diferenças de cada paciente.

3 – TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS: IMPACTOS COMPORTAMENTAIS NO CENÁRIO EMPRESARIAL.

    O mercado de trabalho está mudando, sendo que a forma pela qual as pessoas são avaliadas na atualidade vêm sofrendo grande transformação. A inteligência propriamente dita (chamada no passado de QI), a competência em uma área específica do saber, bem como a formação ou o grau de especialização do funcionário, já não são diferenciais tão importante como no passado. Hoje em dia os empregadores estão muito mais preocupados com certos recursos intangíveis, como habilidades de relacionamento e competências sociais.

    Tomando como base esta nova realidade desenvolvemos e implementamos grupos (no formato de cursos) de treinamento em habilidades sociais para funcionários de nível médio em empresas situadas no estado do Rio de Janeiro.

    O objetivo do presente trabalho é discutir e apresentar os resultados dos grupos de treinamento em habilidades sociais que conduzimos em empresas desde 2001. Nossos grupos, embora possuam um caráter preventivo, estão calcados no modelo cognitivo-comportamental, sendo que os grupos têm os seguintes objetivos:

1) Desenvolver habilidades sociais, tornando os participantes aptos a se relacionarem melhor com seus colegas de trabalho, superiores e subordinados;
2) Fornecer ferramentas para que os participantes possam decodificar e compreender melhor as emoções, motivações e intenções de si mesmos e de seus interlocutores;
3) Capacitar os participantes a monitorar, distinguir e lidar com seus pensamentos automáticos, erros cognitivos e estados emocionais, a fim de empregar tais habilidades na orientação de seu comportamento.

    Os grupos foram conduzidos in company (dentro da empresa), tendo duração de 40 horas. O número de participantes em cada grupo variou em torno de 18 a 30 pessoas (X=24 pessoas por grupo), participaram dos grupos funcionários de nível médio, de ambos os sexos (67% do sexo masculino e 33% do sexo feminino).

    Empregamos uma metodologia teórico-vivencial, sendo que filmamos vários exercícios e dinâmicas, a fim de fornecer feedback aos participantes.

    Os grupos foram conduzidos por dois terapeutas cognitivo-comportamentais, que se revezaram nos papeis de facilitador e de observador participante.

    De acordo, com as avaliações (questionários e entrevistas semi-estruturadas) realizadas no final dos grupos, observamos que: Os participantes relataram que o treinamento em habilidades sociais ajudou a melhorar o relacionamento com seus pares, principalmente com os seus superiores.

    Os participantes pouco assertivos (7%), se beneficiaram bastante do treinamento, tendo relatado mudanças no comportamento assertivo ao longo do trabalho. A utilização de vídeo tape como feedback, foi importante, tendo ajudado na modelagem e na modelação de comportamentos não-verbais e verbais, capacidade empática, comportamento assertivo, etc.

    A compreensão do modelo cognitivo ajudou a distinguir e lidar com os erros cognitivos e estados emocionais. Concluímos, que o treinamento em habilidades sociais pode ser empregado no contexto empresarial com sucesso, beneficiando diretamente os participantes do programa, bem como beneficiando indiretamente os pares (colegas de trabalho, superiores e subordinados) dos participantes do treinamento, que passam a se relacionar com pessoas mais assertivas, empáticas, reforçadoras, flexíveis, enfim com pessoas mais aptas socialmente. Modalidade de Trabalho: Mesa redonda.

4 - THS NO CONTEXTO DAS NEGOCIAÇÕES.

    A negociação é uma parte intrínseca na vida de todas as pessoas, negociamos com o chefe um aumento de salário, negociamos o preço de um imóvel com o seu proprietário, dois advogados negociam um acordo em um processo, negociamos a educação dos filhos com o conjuge ou até mesmo para onde vamos sair com os nossos amigos. Podemos constatar que negociamos com as outras pessoas todos os dias, mesmo quando pensamos que não estamos negociando.

    A negociação é um processo de mão dupla, desenhada para alcançar um acordo satisfatório entre ambas as partes (do tipo ganha-ganha), tendo interesses comuns e/ou opostos. Para obter um resultado do tipo ganha-ganha em uma negociação é necessário entender o que se passam entre as duas partes, ao nível de valores, crenças e objetivos.

    A negociação é um processo que ocorre entre pessoas, sendo assim para que ocorra uma maximização de ganhos as habilidades sociais são de suma importância neste processo.

    As habilidades que apóiam uma negociação de sucesso incluem competências sociais, como: escuta ativa, ser capaz de enxergar o ponto de vista da outra parte (capacidade empática), perceber as crenças, valores e objetivos da outra parte (sensibilidade perceptiva), identificar áreas de acordo (sensibilidade perceptiva), flexibilidade comportamental, equilíbrio emocional, assertividade e capacidade reforçadora, etc.

    O objetivo do presente trabalho é apresentar os resultados do treinamento em habilidade sociais no contexto das negociações. Conduzimos dois grupos in company (dentro da empresa), com duração de 24 horas.

    O número de participantes em cada grupo variou em torno de 32 pessoas, participaram dos grupos funcionários de nível gerencial de uma empresa multinacional na área de energia, de ambos os sexos (87% do sexo masculino e 13% do sexo feminino).

    Empregamos uma metodologia teórico-vivencial, sendo que filmamos vários exercícios e dinâmicas, a fim de fornecer feedback aos participantes. Os grupos foram conduzidos por um terapeuta cognitivo-comportamental e por profissionais na área de administração. De acordo, com as avaliações realizadas no final dos grupos, observamos que: O treinamento em habilidades sociais ajudou a melhorar a competência social dos participantes no contexto das negociações empresariais.

    Os participantes relataram que aprenderam a decodificar com maior cuidado e acuidade sentimentos, emoções, motivações e intenções da outra parte, por meio da identificação de indícios relacionados ao comportamento não verbal (paralinguagem, expressões faciais, gestos e posturas), bem como exercitaram habilidade como a capacidade empática e a assertividade.

    Concluímos que o treinamento de habilidades sociais consiste em uma ferramenta a mais no que se refere ao treinamento em negociação, uma vez que este é um processo que ocorre entre pessoas.













Planejamento de Metas - Fazendo Acontecer em 2009
Por: Por: Msc. Phd. Mônica Portella* & Msc. Tânia Netto**



As Pistas da Mentira
Mônica Portella



Qualidade De Vida No Idoso: Uma Proposta De Otimização Cognitiva
Mônica Portella, Maurício C. Bastos & Carlos Américo Pereira


Instituição inscrita no CRP sob o n° 1169
Diretor Técnico: Dr. Maurício Canton Bastos (CRP: 05/10784)
Diretor Administrativo: Psic. Marco Nascimento (CRP: 05/32639)
Diretora Científica e de Cursos de Extensão: Dra. Mônica Portella (CRP: 05/22229)
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