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QUALIDADE DE VIDA NO IDOSO: UMA PROPOSTA DE OTIMIZAÇÃO COGNITIVA
Mônica Portella, Maurício C. Bastos & Carlos Américo Pereira

Resumo

    Com o processo de envelhecimento, ocorre declínio das funções cognitivas, sendo a memória uma das mais afetadas. Queixas de distúrbios de memória são freqüentes entre idosos, constituindo-se um dos problemas mais comuns em geriatria. A presente pesquisa tem como objetivo verificar se as estratégias de otimização cognitiva (como estratégias internas e de compensação e recursos comportamentais) possibilitam a recuperação declínio cognitivo associado a idade, ajudando a melhorar, conseqüentemente, a qualidade de vida e o bem-estar.

    Participaram da pesquisa, nove idosos, com idades variando de 65 a 83 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: grupo experimental (que foi submetido ao POC) e de comparação (submetido a Terapia Cognitiva Comportamental).

    Inicialmente foi realizada uma avaliação médico-psicológica, que consistia em: exames neurológicos, testes neuropsicológicos, checklists e entrevista semi-estruturada. Após o levantamento das queixas e uma avaliação inicial, foi feito um plano de tratamento. As estratégias empregadas no programa foram selecionadas e adaptadas, quando necessário, de acordo com os interesses e queixas específicas de cada paciente. O programa consistia em exercícios diários, realizados em casa e em diversas estratégias de otimização cognitiva ao longo de sessões. Os pacientes freqüentaram o programa, a princípio semanalmente, por um período médio de três meses.

    Observou-se, através do relato dos participantes do POC e dos instrumentos de avaliação, que estes conquistaram um maior nível de autonomia e melhora no bem-estar e na qualidade de vida após o treinamento.

    A análise da auto avaliação da memória, entrevista semi-estruturada e checklists mostraram que as queixas diminuíram após o programa.

Introdução

    Identificar as condições que permitem envelhecer bem, com boa qualidade de vida e bem-estar subjetivo, é tarefa de várias disciplinas no âmbito das ciências biológicas e sociais (Neri, 1993).

    A promoção de uma boa qualidade de vida na terceira idade excede os limites da responsabilidade pessoal, sendo que esta deve ser vista como um empreendimento de caráter sociocultural. Segundo Featherman, Smith e Peterson (1990, apud Neri, 1993), uma velhice satisfatória não é um atributo do indivíduo biológico, psicológico ou social, mas resultado da qualidade da interação entre pessoas em mudança, que vivem em uma sociedade em mudança.

    Avaliar a qualidade de vida na terceira idade implica na adoção de uma série de critérios de natureza biológica, psicológica e socioestrutural. Assim, de acordo com Neri (1993) existem vários elementos que podem ser apontados como determinantes ou indicadores do bem-estar na terceira idade: longevidade, saúde física e mental, satisfação, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papeis sociais, familiares e ocupacionais.

    Embora a literatura sobre qualidade de vida na terceira idade aponte para a existência de uma multiplicidade de fatores relacionados a esta, ainda, não foi possível estabelecer com clareza o grau de importância de cada um desses fatores e suas inter-relações. De acordo com a literatura, o que se sabe é que as variáveis relacionadas à qualidade de vida na velhice têm impactos diferentes sobre o bem-estar subjetivo.

    Segundo Romano (1993, citado por, Medeiros, 1994), qualidade de vida refere-se a habilidade ou capacidade de um indivíduo para desempenhar tarefas ou atividades da vida diária, obtendo desta forma satisfação. Desta maneira, a qualidade de vida deve ser entendida em termos de expectativas pessoais, sendo que, podemos observar aqui, uma valorização dos aspectos subjetivos.

    Pereira e Engelmann (1993), por sua vez, consideram qualidade de vida como um construto multidimensional, formado por elementos-componentes econômicos, sociodemográficos disposicionais e situacionais, e pelo nível de bem-estar subjetivo sobre a experiência cognitiva de satisfação global ou específica com domínios gerais ou particulares da vida, a certa da intensidade e da freqüência da experiência afetiva positiva e negativa, e a cerca dos inúmeros aspectos ou fatores psicossociais de saúde mental dos indivíduos.

    Neri (1993), considera as expressões qualidade de vida na terceira idade, bem-estar psicológico, bem-estar percebido, bem-estar subjetivo e envelhecimento satisfatório ou bem-sucedido como equivalentes.

    A literatura sobre bem-estar subjetivo baseia-se em como e porque as pessoas experimentam suas vidas de formas positivas, incluindo para este fim julgamentos cognitivos e reações afetivas (Diener, 1984). Bem-estar subjetivo, de acordo com Lee e Ishi-Kuntz (1988, citados por, Deps, 1993), refere-se a um estado mental, incluindo sentimentos de felicidade, contentamento e satisfação com as condições de vida.

    Podemos observar, tomando como base uma série de pesquisas realizadas sobre bem-estar subjetivo e qualidade de vida que, estes dois construtos possuem uma configuração multidimensional (e.g. Diener, 1984; Diener, E., Emmons, R.A., Larsen, R.J. e Griffin, S., 1985; Pereira e Engelmann, 1993). Por outro lado, uma série de estudos, têm demonstrado a importância dos indicadores sociais de qualidade de vida e/ou dos indicadores psicológicos de qualidade de vida, bem como do bem-estar subjetivo (Pereira e Engelman, 1993).

    Estudamos acima o conceito de qualidade de vida e bem-estar subjetivo. Uma série de fatores podem ajudar a promover o bem-estar subjetivo e a qualidade de vida na terceira idade, como: saúde física e mental, satisfação, senso de auto-eficácia, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papeis sociais, etc.

    Diversos estudos demonstram que é possível melhorar a memória, a cognição e a solução de problemas, entre outros aspectos comportamentais de pacientes com problema de memória (decorrente ou não de lesão estrutural), utilizando para este fim, programas de treinamento.

    O POC (Programa de Otimização Cognitiva) é um programa desenvolvido por Portella (1999) e testado inicialmente em idosos com declínio cognitivo associado à idade e déficit de memória associado à depressão.

    O POC (em seu formato atual) é um programa onde, pessoas com declínio cognitivo associado à idade, cooperam com diversos profissionais de saúde, seus familiares e amigos mais próximos, para tratar, ou, pelo menos, aliviar esquecimentos/dificuldades de memória.

    O programa tem como objetivo básico ajudar seus participantes a conviver, lidar, superar, reduzir ou contornar deficiências cognitivas resultantes do declínio cognitivo associado à idade, sendo que este trabalho é realizado através do ensino e utilização uma série de estratégias (de estimulação, mnêmicas, comportamentais, de repetição, de compensação, etc) e exercícios conhecidos e reconhecidos como eficazes.

    O POC objetiva, ainda, além da otimização da memória e o “manejo dos esquecimentos”, elevar a auto-confiança e o nível de atividade do cliente, considerando que em muitos casos o esquecimento pode causar inibição e isolamento, promovendo uma melhora na qualidade de vida diária dos participantes.

    Discutiremos abaixo, alguns fatores presentes no POC que podem ajudar a melhorar o bem-estar subjetivo e qualidade de vida dos participantes.

    Existem uma série de pesquisas e tendências explicativas que apontam a atividade como um dos meios do idoso obter bem-estar subjetivo (Diener, 1985; Deps, 1992 e Neri, 1992). O POC, por sua vez, é um programa onde o participante precisa desempenhar uma série de atividades (como exercícios para ajudar a melhorar a memória), atividades estas que podem auxiliar a ajudar a melhorar o bem-estar subjetivo do idoso.

    Por outro lado, podemos trabalhar através do POC (por meio de uma série de estratégias como, estratégias cognitivo-comportamentais, de estimulação e de compensação) o senso de auto-eficácia do idoso, sendo que este pode encontrar-se comprometido graças as dificuldades de memória enfrentadas no dia à dia e/ou graças as atribuições distorcidas a respeito das dificuldades de memória.

    Problemas relacionados ao senso de auto-eficácia em idosos estão centrados tanto em estimativas reais quanto em estimativas e crenças distorcidas em relação as suas possibilidades. Tais fatores podem prejudicar o nível de bem-estar subjetivo do indivíduo.

    Em nossa sociedade, geralmente, as pessoas enxergam apenas as perdas decorrentes do envelhecimento (entre elas dificuldades de memória), sendo que isto ajuda a diminuir o senso de auto-eficácia do idoso. Ao mesmo tempo, o declínio progressivo do senso de auto-eficácia pode levar a um declínio cognitivo, bem como a perdas no funcionamento comportamental.

    Entretanto, os idosos podem aprender a compensar algumas perdas decorrentes do envelhecimento por meio de estratégias. No caso de problemas de memória, os déficits podem ser compensados através de estratégias de ajuda externa (diário, bilhetes, timer, agenda, etc), sendo que, além das estratégias de ajuda externa, podemos lançar mão de outras estratégias como técnicas de estimulação e de repetição.

    O presente trabalho objetiva testar de forma sistemática a eficácia do POC, bem como verificar se este ajuda a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar subjetivo do idoso com problema de memória. Para este fim foi elaborada uma pesquisa, tendo por problemas:

1) Será que o POC pode ajudar a melhorar a memória na terceira idade?
2) Será que o POC pode ajudar a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar subjetivo na terceira idade?

Método

    Participantes Participaram da presente pesquisa 14 idosas do sexo feminino, portadoras de declínio cognitivo associado à idade com idades variando de 65 a 83 anos.

    Foram critérios de inclusão: Os participantes da pesquisa deveriam ter idade igual ou superior a 65 anos; escolaridade mínima de quatro anos e relato de prejuízo de memória para atividades da vida diária.

    Quanto aos critérios de exclusão, excluímos da amostra pessoas que façam uso crônico de ansiolíticos, alcoólatras, portadores de demência e depressão. Foram excluídas, ainda, da pesquisa pessoas com histórico de acidente vascular cerebral, traumatismo craniano, doença psiquiátrica e neurológica.

Instrumentos

1) Avaliação Médica: Composta por um exame clínico e neurológico. O médico responsável aplicou, ainda, no paciente a escala de depressão Hamilton para atender os critérios de exclusão acima mencionados.
2) Avaliação Neuropsicológica: A avaliação neuropsicológica abrangeu o estudo de distúrbios funcionais relacionados ao SNC (sistema nervoso central), sendo que este exame permitiu avaliar a estruturação e o funcionamento do estado mental (Câmara, 1994). Foram empregados uma série de testes neuropsicológicos a fim de avaliar o funcionamento cognitivo de nossos pacientes. Abaixo seguem-se os testes neuropsicológicos aplicados na fase de avaliação do POC: Mini Mental State (MMSE) Rey Auditory Verbal Learning Test; Stroop Test; Fluência Verbal ( Animais e Frutas); Digit Span Foreword e Digit Span Backwards.
3) Métodos Comportamentais e Funcionais: Esses métodos permitiram fazer uma avaliação comportamental e funcional do paciente. Tais métodos incluíram uma série de procedimentos como: entrevistas semi-estruturadas, check list, linha de base (LB) e questionários.
3.1) Entrevistas Semi-Estruturada: Realizada com o paciente, bem como com seus familiares (quando necessário). O objetivo básico da entrevista semi-estruturada foi verificar o impacto da (s) dificuldade (s) de memória relatada (s) pelo paciente em sua vida diária, bem como verificar se existe (m) alguma (as) condição (ões) que tenha (m) contribuído para a (s) dificuldade (s) de memória relatada (s). Para este fim, lançamos mão de um roteiro de entrevista (“entrevista padronizada”) composto por 12 perguntas, 4 abertas e 8 fechadas.
3.2) Check-lists/ Checagem das Queixas: Objetivou listar as queixas, bem como estipular a freqüência de cada uma das queixas apresentadas e o nível de “incômodo” percebido pelo paciente.
3.3) Linha de Base (LB): Este procedimento permitiu avaliar de forma objetiva os efeitos de um procedimento de intervenção sobre uma queixa. Ao empregarmos a linha de base, medimos a força do comportamento alvo (queixa) antes da intervenção, ou seja, antes da introdução das técnicas e procedimentos de intervenção. Este procedimento permitiu comparar, posteriormente, medidas comportamentais obtidas antes da intervenção com medidas comportamentais obtidas no final e no decorrer da mesma. Tal comparação permitiu avaliar com precisão os efeitos das estratégias de intervenção selecionadas, para que possamos substituir as mesmas, caso necessário, ou mantê-las.
3.4) Questionário de Auto-Avaliação da Memória: Questionário composto por sete perguntas fechadas, com o objetivo verificar como os pacientes avaliam uma série de fatores relacionados a sua capacidade de memorização.
4) Avaliação da Qualidade de Vida e do Bem-Estar Subjetivo: Para este fim, empregamos um questionário de qualidade de vida composto e as escalas SLS e PANAS.

Procedimentos

Podemos dizer, de forma resumida, que o presente estudo possuiu três fases:
a) Pré-teste ou Fase de Avaliação Inicial;
b) Aplicação do programa propriamente dito, junto aos participantes do grupo experimental;
c) Pós-teste ou Fase de Avaliação Final, fase onde verificamos os possíveis efeitos do POC.

    Empregamos, ainda, um grupo de comparação (submetido à TCC - Terapia Cognitivo Comportamental) testado antes e depois do tempo previsto para a duração do programa. Ou seja, o grupo de comparação foi submetido as fases “a” (Pré-teste) e “c” (Pós-teste) da presente pesquisa.

a) Fase Pré-teste - Avaliação O processo de avaliação incluiu diversas etapas como:

a) Avaliação Médica;
b) Avaliação Neuropsicológica;
c) Avaliação Comportamental e Funcional e
d) Avaliação do Bem-estar e da Qualidade de Vida.

b) Organização da Terapia de Memória Planejamento Antes de iniciarmos o programa (POC) propriamente dito, fizemos um planejamento da intervenção, sendo que, para este fim, foi necessário, mapear as dificuldades (queixas) enfrentadas pelos pacientes e mensurar os déficits, como foi visto na fase de avaliação comportamental. Posteriormente, foi necessário planejar a intervenção; assim estabelecemos metas e selecionamos as estratégias de intervenção e os exercícios mais apropriados para cada caso. Existiram vários ingredientes que foram levados em conta no planejamento do POC, sendo que estes serão explicados a seguir.
b.1) Especificação das Metas e Prioridades Para o Treinamento: O terapeuta, junto com o paciente, elaborou uma lista das dificuldades e queixas do paciente, sendo que as dificuldades e queixas apresentadas constituem as metas do treinamento. Em seguida estes procuraram estabelecer as prioridades do treinamento. Para este fim foi necessário levar em consideração os problemas que mais incomodavam o paciente.
b.2) Seleção das Estratégias de Intervenção e dos Exercícios: Depois, o terapeuta selecionou as estratégias de intervenção e os exercícios mais adequados para cada uma das queixas apresentadas por cada paciente. Foi necessário avaliar a dificuldade dos exercícios selecionados para o programa de cada um. Os exercícios variaram de um nível bastante simples até um nível onde o paciente seja capaz de representar normalmente uma dada habilidade. A dificuldade dos exercícios variou de acordo com uma série de fatores como: alteração da quantidade e da complexidade da informação a ser aprendida, pelos períodos de retenção esperados e pelas pistas oferecidas durante o processo de aprendizagem. Os exercícios foram intimamente vinculados as queixas de cada paciente.
b.3) O Processo de Aprendizagem e a Avaliação: Empregamos ainda o processo de aprendizagem sem erro, segundo o qual o terapeuta modulou a tarefa de forma que o paciente acertasse a maior parte dos exercícios. A aprendizagem sem erro visa basicamente aumentar a auto confiança do paciente e estimular seu engajamento. É extremamente importante fornecer ao paciente feedback constante sobre sua performance e reforçar seus acertos, primeiramente de forma contínua, e posteriormente de maneira intermitente. Em relação à avaliação, quantificamos os resultados para acompanharmos o desenvolvimento do paciente, bem como escolher e substituir as estratégias empregadas. Para este fim, valemo-nos de tabelas e gráficos, constantemente consultados pelo paciente e pelo terapeuta.


Aplicação do Programa

     O treinamento foi realizado ao longo de 16 sessões, incluindo as etapas de avaliação (Pré e Pós-teste). Ou seja, a fase de treinamento propriamente dita teve duração de 12 sessões, com cerca de 50 minutos cada. A fase de avaliação, por sua vez, foi realizada ao longo de quatro encontros, dois com o psicólogo responsável pelo caso (um encontro em cada uma das fases de avaliação, isto é um encontro no pré-teste e o outro no pós-teste) e dois com o médico geriatra (um encontro em cada uma das fases de avaliação, isto é um encontro no pré-teste e o outro no pós-teste).

c) Pós-Teste - Fase de Avaliação Fina O processo de pós-teste incluiu basicamente as mesmas etapas da fase de pré-teste. Ou seja, realizamos na fase de pós-teste as seguintes avaliações:
a) Avaliação Médica;
b) Avaliação Neuropsicológica;
c) Avaliação Comportamental e Funcional; e
d) Avaliação da Qualidade de Vida e do Bem-estar.

Discussão e Análise dos Resultados

    Auto-Avaliação da Memória

    Ao analisar as respostas fornecidas pelos sujeitos, podemos observar que os sujeitos pertencentes ao grupo experimental relataram que sua memória melhorou após o tratamento, o mesmo não foi observado no grupo de comparação. Ou seja, os sujeitos do grupo experimental relataram melhora na fase de pós-teste.

    De acordo com o relato dos sujeitos do grupo experimental, 66% de seus parentes e amigos avaliaram a memória sua como “normal” na fase de pós-teste, enquanto que 100% dos parentes e amigos dos sujeitos pertencentes ao grupo de comparação avaliaram a memória desses como muito prejudicada na fase de pós-teste).

    Em relação à ansiedade provocada pelo fato de esquecer, verificamos que os sujeitos pertencentes aos dois grupos aparentemente aprenderam a lidar melhor com a ansiedade decorrente dos esquecimentos. A TCC (que foi empregada junto aos sujeitos pertencentes ao grupo de comparação) ajudou a diminuir a ansiedade dos sujeitos diante dos esquecimentos.

    Cem por cento (100%) dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental relatou que sua memória melhorou no último ano, após a intervenção (fase de pós-teste).

    Os sujeitos pertencentes ao grupo de comparação não relataram que sua capacidade de memorização tenha melhorado ao longo do último ano na fase de pós- teste. 

    De acordo com o relato dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental, na fase de pós-teste, o nível de interação com as pessoas melhorou em algum grau (muito ou um pouco) em função das alterações percebidas na memória, após o tratamento. No grupo de comparação as respostas fornecidas mantiveram-se iguais na fase de pré e de pós-teste. Isto é, estes sujeitos não perceberam diferença no seu nível de interação com as pessoas após a intervenção.

    Cinqüenta por cento (50%) dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental relatou que sua qualidade de vida melhorou em função das modificações que ocorreram na sua memória após o tratamento. No entanto, 50% dos sujeitos pertencentes a este mesmo grupo disseram que a qualidade de vida não foi alterada em função das mudanças percebidas na capacidade de memorização após o tratamento (fase de pós-teste). Os sujeitos do grupo de comparação relataram tanto na fase de pré-teste, quanto na fase de pós-teste que a qualidade de vida não foi alterada em função da memória. Ou seja, as respostas desse grupo foram iguais na fase de pré e de pós-teste.

    Entrevista Semi-Estruturada

    A análise das alterações relacionadas a capacidade de memorização relatadas pelos sujeitos pertencentes ao grupo experimental indicam que os sujeitos melhoraram após o tratamento. Ou seja, verificamos que os sujeitos pertencentes ao grupo experimental relataram alguma melhora na fase de pós-teste. O mesmo não ocorreu com os sujeitos pertencentes ao grupo de comparação.

    No grupo de comparação, os sujeitos relataram que as pessoas próximas não perceberam nenhuma diferença na sua capacidade de memorização após a intervenção (TCC). No entanto, 50% dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental relataram que as pessoas próximas perceberam algumas alterações na sua capacidade de memorização após o treinamento.

    Checagem das Queixas

    Verificamos que as queixas dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental diminuíram comparativamente em relação às queixas listadas pelos sujeitos pertencentes ao grupo de comparação. Não observamos o mesmo fato no grupo de comparação.

    Os resultados discutidos acima (auto-avaliação, entrevista semi-estruturada e checagem das queixas) podem ser interpretados de três maneiras distintas:
a) Os sujeitos do grupo experimental melhoraram após o programa, pois foram capazes de aprender a utilizar estratégias capazes de minimizar de alguma maneira as dificuldades de memória apresentadas;
b) Os sujeitos pertencentes ao grupo experimental passaram a compreender melhor suas dificuldades de memória, sendo que a compreensão de suas dificuldades por si só pode ter ajudado tais sujeitos a sentirem-se melhor após a intervenção;
c) Como os sujeitos do grupo experimental passaram pelo programa, estes podem ter se sentido na “obrigação” de relatar alguma espécie de melhora em relação a sua memória.

    Escala SLS

    Os dados obtidos indicam que houve uma melhora no bem-estar dos sujeitos pertencentes a ambos os grupo (experimental e de comparação). No entanto, a TCC parece ter provocado uma melhora mais acentuada no bem-estar dos sujeitos do que o POC propriamente dito. Por outro lado, estes resultados podem ser questionados em função dos grupos (ou seja, o grupo experimental possui exatamente o dobro de sujeitos que o grupo de comparação).

    Escala PANAS

    Os dados obtidos indicam que a TCC, parece ter influenciado o nível de bem-estar dos sujeitos pertencentes ao grupo de comparação. Ao compararmos os dados obtidos no pré-teste e no pós-teste dos grupos de comparação com o grupo experimental, verificamos que a TCC parece ter surtido um efeito maior sobre o bem-estar dos sujeitos do que o POC.

    Questionário de Qualidade de Vida De maneira geral, podemos dizer, que a comparação entre pré e pós-teste, dos dados referentes ao Questionário de Qualidade de Vida, parece não indicar mudanças substanciais no que se refere a uma melhora/piora na qualidade de vida dos sujeitos após o tratamento (POC e TCC), tanto do grupo experimental, quanto do grupo de comparação. Ou seja, tanto o POC quanto a TCC parece não terem influenciado na qualidade de vida dos sujeitos.

    No entanto, ao analisarmos os dados referentes à pergunta “O que está melhorando em sua vida”, 33% dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental, na fase de pós-teste, relataram que a sua memória está melhorando. O mesmo não aconteceu no grupo de comparação.

    Ao analisarmos os dados referentes a pergunta “O que você poderia fazer para melhorar a sua vida?”, podemos observar que algumas respostas fornecidas pelos sujeitos pertencentes ao grupo experimental na fase de pós-teste, parecem indicar que o POC foi uma atividade importante para a vida dos participantes. As respostas a seguir parecem indicar tal fato: Exercitar a mente (17%); Ser mais atento (17%); Continuar a estudar as técnicas aprendidas (17%); Continuar exercitando a memória (50%).

    Os exercícios aprendidos ao longo do programa, segundo o relato de alguns sujeitos (50%), podem ser úteis para melhorar a vida dos mesmos.

Conclusão

    Ao analisar os dados obtidos por meio da auto-avaliação da memória, entrevista semi-estruturada e checagem das queixas, podemos constatar, de forma geral, através da análise dos resultados que os sujeitos pertencentes ao grupo experimental relataram melhora após a intervenção, enquanto os sujeitos pertencentes ao grupo de comparação não relataram praticamente melhora alguma na fase de pós-teste.

    Ao estudar os dados obtidos na avaliação do bem-estar e da qualidade de vida no grupo experimental, na fase de pós-teste, foi possível verificar que o programa ajudou a melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental, fato este que parece indicar que o POC ajudou, no mínimo, os sujeitos a lidar com seus déficits de memória no dia a dia, sendo que isto parece estar correlacionado com a melhora no bem-estar e na qualidade de vida dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental.

    Embora não tenhamos encontrado diferença significativa no que se refere a avaliação neuro-psicológica, ao compararmos os resultados obtidos através mesma, com os demais resultados (auto avaliação da memória, entrevista semi-estruturada, checagem das queixas, Escala SLS, Escala PANAS e questionário de qualidade de vida), nos parece que os testes selecionados não foram sensíveis o suficiente para captar mudanças pequenas (talvez mínimas) na capacidade mnêmica dos sujeitos que participaram do POC.

    Resumindo, de acordo com a auto avaliação da memória, entrevista semi-estruturada e checagem das queixas a memória dos sujeitos pertencentes ao grupo experimental parece ter melhorado após o programa, pois segundo os dados obtidos através de tais instrumentos os sujeitos foram capazes de aprender a utilizar estratégias capazes de minimizar de alguma maneira as dificuldades de memória apresentadas.

    A análise da checagem das queixas mostrou, ainda, que essas diminuíram sensivelmente após o programa. Os dados obtidos por meio das escalas SLS e PANAS e questionário de qualidade de vida, indicam que houve uma melhora no bem-estar e na qualidade de vida dos sujeitos pertencentes a ambos os grupo (experimental e de comparação).

Referências Bibliográficas

Deps, V.L. (1993). Atividade e Bem-Estar Psicológico na Maturidade. Em, Qualidade de Vida e Idade Madura. Campinas: Papirus Editora.

Diener, E. (1984). Subjective Well-Being. In, Psychological Bulletin, 95, 542-575.

Diener, E., Emmons, R.A., Larsen, R.J. e Griffin, S. (1985) The Satisfaction with life scale. Society for Personality Assessment, 49, 71-75.

Medeiros, S.L. (1994). Saúde e Qualidade de Vida na Opinião dos Idosos. In, Gerontologia. 2 (1); 07-12.
Neri, A.L. (1993). Qualidade de Vida no Adulto Maduro: Interpretações Teóricas e Evidências de Pesquisa. Em, Qualidade de Vida e Idade Madura. Campinas: Papirus Editora.

Pereira, C.A.A. e Engelmenn, A. (1993). Um estudo da qualidade de vida universitária no trabalho entre docentes da UFRJ. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 45 (3/4), 12-48.













Planejamento de Metas - Fazendo Acontecer em 2009
Por: Por: Msc. Phd. Mônica Portella* & Msc. Tânia Netto**



As Pistas da Mentira
Mônica Portella



Qualidade De Vida No Idoso: Uma Proposta De Otimização Cognitiva
Mônica Portella, Maurício C. Bastos & Carlos Américo Pereira


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